Representa Cuba: Gusmani e uma barbearia fundada em 1552
De volta à coluna deste barbudo nômade jogado pelo mundo que vos escreve, compartilho hoje a surreal experiência de fazer a barba em Havana, Cuba.

Antes de falar sobre a barbearia, vale a pena um breve contexto do que é hoje a capital Cubana.
Foi minha primeira vez por lá. Confesso que fiquei (e voltei) bastante impressionado. Havana é diferente de tudo que já conheci.
Na lembrança, guardo com carinho os dias quentes de ar úmido, os confortáveis carrões que parecem ter saído de uma novela de época e os prédios e casas coloridas, desgastadas pelo tempo.


A Internet ainda é uma novidade em Cuba. Para acessá-la, é preciso comprar um cartão nas lojas da Etecsa, a companhia de telecomunicações do governo.
Cada cartão custa em média 1 dólar por 1 hora de acesso, é numerado e você deve apresentar seu passaporte ou identidade.
O acesso também se dá em praças públicas (desde 2015), saguões de hotéis e - se você der sorte - em uma conexão particular em seu Airbnb.

Dito isso, é preciso entender que a velocidade da informação não é a mesma por lá. Embora a internet venha se popularizando rapidamente, o povo cubano é ainda muito tradicionalista. Em parte, devido ao embargo imposto pelos EUA desde os anos 50.
Em parte, porque a maioria das pessoas que conheci lá possuem um verdadeiro orgulho pela história e cultura do país.
E foi assim que descobri a "Primera Barbearía En Cuba". Situada na "vieja habana", na Plaza de Armas, me chamou a atenção a placa fixada na parede ao lado da porta de entrada.


Foi a primeira vez que entrei numa barbearia gringa sem consultar o Google. Ela não tem site e nem aparece nos mapas.
Chegando lá, fui atendido pelo simpático e tagarela Gusmani, barbeiro que me contou a história de que era o tataraneto do primeiro barbeiro oficial de Cuba, Juan Gomez.
A barbearia é pequena e cheia de estilo, com apenas 2 cadeiras e um barbeiro, o próprio Gusmani. Tudo ali parecia ser um museu de grandes novidades. A sensação era de entrar numa barbearia do início do século passado.

A viagem no tempo só não foi mais completa porque tocava uma playlist que parecia aquela seleção feita pelo seu tio na festa de Natal da família.
Só que em espanhol. Sim, tocou de Roberto Carlos a Alexandre Pires (lembra?), tudo em espanhol.
O momento Alexandre Pires foi especial, porque enquanto fazia minha barba Gusmani explicava sua admiração pelo cantor de pagode, me perguntando por onde ele andava e o que fazia.
Também confessou seu amor pela Glória Pires, "aquí en Cuba, ella es 'la Reina'!!" (os cubanos são fanáticos pelas novelas Brasileiras, com destaque para Mulheres de Areia e Vale Tudo foi um sucesso tão grande que até hoje os restaurantes em Cuba são chamados "Paladar", uma referência ao nome do icônico restaurante da novela).
Enfim, o corte foi lento e meticuloso. Gusmani me disse que eu estava parecendo um "selvage", com a barba "muy cruda". Ele também me prometeu um "autêntico corte cubano".
Admito que fiquei empolgado, mas fica a dica para os demais barbudos de plantão: um corte cubano é um corte cubano, ou seja… ele afinou meu bigode, cavou com a gilete espaços no meu cavanhaque e me deixou a com a cara de um rapper latino.
Não é meu estilo. Mas também não posso dizer que não foi um ótimo corte. ;D}}

Recomendo o confere na barbearia com essas duas ressalvas: Um, vá sem pressa. Dois, se você não quer um corte cubano, leve uma foto sua e deixe claro qual é seu estilo.
No mais… se joga nos daiquiris, mojitos e charutos ("puros"). Depois me conta como foi a sua experiência.